:: Dossiê Alex ::

Desta vez ele não escapa.
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[::O que passou, passou...::]

:: Quinta-feira, Junho 02, 2005 ::

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros"

Últimas palavras escritas por Clarice Lispector, pouco antes de falecer, em dezembro de 1977.

Outras Palavras...:
:: Quinta-feira, Março 24, 2005 ::
São coisas estranhas e novas. A vida é uma experiência complexa, dolorida, feliz.

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A chave, eu vejo, são as escolhas que você faz. Elas são determinantes. Você será o resultado das escolhas que fez, e de sua capacidade de levá-las a cabo. Sim, há o acaso. Ontem eu estava passando por uma banca de jornais e vi uma foto. Uma menina bonita, 19 anos. Estudante de jornalismo em São Paulo. Sequestrada. Assassinada. 19 anos. Sim, há o acaso.

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Mas há o acaso na sua vida, na minha vida e na vida das moscas-das-frutas. Não é esta a questão. A questão é que as opções que você faz ao longo de sua vida determinarão o que ela --- a sua vida --- será. E determinarão se você será ou não feliz. Dentro de seus próprios padrões.

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Lembrando Sartre, que não tinha princípios, era desonesto intelectualmente, mas também era um escritor de estilo maravilhoso e frasista extraordinário: "Não importa o que a vida fez de um homem. Importa o que ele fez daquilo que a vida fez dele".

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Não é verdade que sempre há tempo para mudarmos de rumo. É verdade que na maioria das vezes há tempo para mudarmos de rumo.

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Segredo: não cometa erros definitivos. Tipo: não gaste a poupança de toda sua vida comprando um Papagaio-Lilás das Ilhas Galápagos raríssimo no mercado negro de animais silvestres, em um momento de surto. Quando você voltar ao normal, não conseguirá revender o animal pelo preço que pagou, porquê você não é traficante de animais silvestres. E não terá mais dinheiro para pagar o psicólogo. Sem falar do aluguel.
E não se suicide. Não impensadamente.

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Cuidado. A vida é frágil, a saúde mental é frágil, e vivemos tempos de "Paz Quente". Para o cidadão comum de um país pobre como o Brasil estes tempos são, às vezes, ainda piores que os da Guerra Fria.

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Cuidado. Mas não perca a esperança. Você ainda não fez nenhuma besteira definitva? Não está na cadeia? Não há policiais ou bandidos à sua procura? Você ainda consegue pronunciar meia dúzia de palavras que façam relativo significado juntas e camisas-de-força Armani (o estilo é tudo) ainda não fazem parte de seu guarda-roupa? Então acalme-se. O jogo ainda não está perdido. Keep Walking, por mais difícil que seja. Acredite: talvez, dentro em breve, não o seja tanto.

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E sorria um pouco, homem, homessa! Eu ando sério demais.

Outras Palavras...:
:: Sexta-feira, Março 04, 2005 ::
O Medo 24 Kilates

Eu hoje vi o medo em seu estado mais primal. O medo vermelho, o medo tal qual ele foi concebido, há 10 mil anos, pelo Criador. Eu o vi, hoje, 32, quase 33 anos depois. Oh não, senhores, por favor: não estou me referindo ao medo de algo específico. Não falo do medo que você tem de ratos, ou o que eu tenho de insetos; não, me refiro a um bloco sólido e palpável de terror, me refiro à uma liga pura e dura deste sentimento que hoje, desesperado, tive o indescritível privilégio de contemplar. Eu hoje vi o medo puro-sangue, o medo que é um fim em si próprio, que não é o temor de alguma outra coisa, mas o terror absoluto de um homem só. Eu hoje vi o medo 24 Kilates.

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Sem comentários neste post, por gentileza.

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Ah, sim: este blog voltou à ativa.

Outras Palavras...:
:: Segunda-feira, Janeiro 31, 2005 ::
Este blog encontra-se desativado, a partir da presente data. Não há previsão de tempo para o retorno do mesmo.

Outras Palavras...:
:: Segunda-feira, Janeiro 03, 2005 ::
Fim dos dias.

Outras Palavras...:
:: Segunda-feira, Dezembro 27, 2004 ::
"Não, meu querido. Não faça isso com você. Eu imploro, não faça isso com você. Não renegue a sua alma. Você renega a sua alma e me renega junto, dizendo que foi lindo e sabendo que não foi nem o começo. Não foge, meu querido. Não entra nesse carro, volta aqui e se olha no espelho. Ainda dá tempo. Sempre vai dar tempo, até que eu decida ir. E eu não quero ir sem você. Não quero. Volta, vem cá, pára de tremer e abre os olhos, você não tem nada a temer. Volta aqui e me dá a mão. Mas tem que ser de verdade, não vem porque é fácil, vem porque quer, vem pronto para pular. Olha pra mim, meu querido, olha bem pra mim, olha dentro dos meus olhos, na minha alma, e fica. Pode fechar os olhos agora, eu vou te guiar. Não se atira sozinho, se atira em mim, comigo. Se você parar, eu paro. Você desce, eu desço junto. Quer viver, vivo com você. Querendo afundar, meu querido, afundo contigo, vou até o fim. Eu aguento, se você também aguentar."

Das coisas esquecidas atrás da estante, Clarah Averbuck

Outras Palavras...:
:: Segunda-feira, Dezembro 20, 2004 ::
"Ántonia sempre fora de deixar na mente imagens que não se desvaneciam --- que ficavam mais fortes com o tempo. Na minha memória havia uma sucessão dessas imagens, fixadas lá como as xilogravuras da nossa primeira cartilha: Ántonia batendo as pernas nuas contra os flancos de meu pônei quando voltamos para casa, em triunfo, com a nossa cobra; Ántonia de xale preto e gorro de pele, postada junto do túmulo do pai na tempestade de neve; Ántonia chegando com a parelha de tiro contra a linha do horizonte, ao anoitecer. Ela se prestava a atitudes humanas imemoriais que reconhecemos como universais e verdadeiras. Eu não me enganara. Era uma mulher gasta agora, não uma menina encantadora; mas ainda tinha aquele quê capaz de incendiar a imaginação, ainda conseguia nos tirar o fôlego por um instante com um olhar ou um gesto que, de alguma maneira, revelava o significado de coisas comuns."

Minha Ántonia, Willa Cather (1873 - 1947)

Outras Palavras...:
:: Terça-feira, Dezembro 14, 2004 ::
Eu não resisto a opinar sobre a polêmica envolvendo a cinebiografia de Alexandre, que em breve entrará em cartaz no Brasil.
Faço-o, é verdade, com certo pudor.
Isto porquê houve uma época em que eu usava este blog (e também um blog anterior à este que tive) para falar sobre praticamente tudo. De política à economia, passando por mulheres e futebol, eu deitava o verbo. Bem, até hoje me porto assim; mas não mais em blog. Só ao vivo e a cores. Hoje sou mais comedido neste espaço. Não sei se concordam, mas há algo de ridículo em usar uma página que quase nunca é acessada, como esta, para tecer graves considerações sobre o estado presente da humanidade e demais assuntos relevantes. Me parece uma atitude um pouco joselita, se é que me entendem. Enfim.
Mas vou abrir uma exceção para este filme.
É que sempre fui muito interessado na estória de Alexandre, o Grande, provavelmente o maior gênio militar de todos os tempos. Não só eu: quase qualquer um que aprecie história tende, cedo ou tarde, a debruçar-se sobre o relato da breve e marcante existência do fundador, ainda que involuntário, da cultura helenística.
Então vamos lá. Deu-se o seguinte:
Oliver Stone, o diretor norte-americano, filmou a vida de Alexandre. Convidou Colin Farrell para o papel principal --- o que, até que eu assista o filme e, talvez, me convença do contrário, foi um erro. Farrell é um bom ator, mas não me parece ter escopo para interpretar o destruidor do Império Persa e conquistador da Ásia. Também chamou Anthony Hopkins para interpretar o general Ptolomeu, um dos principais conselheiros de Alexandre. Aí a escolha foi boa, acho. Mas só vendo o filme para saber.
Mas então. Stone fez o filme sobre Alexandre. E, no interesse de ser fiel ao personagem biografado ele, segundo leio, retratou Alexandre como bissexual na obra. Pois bem.
Aconteceu então que um grupo de advogados gregos (é impressionante como advogado é um povo que não tem o que fazer da vida mesmo) ameaçou processar Stone por este motivo: porquê ele retratou Alexandre como bissexual na tela. Disseram os doutos senhores que isto era um desrespeito à memória do maior herói do povo grego. Tanto azucrinaram a paciência de Stone que ele acabou entrando em um acordo com os rábulas: na Grécia (mas só na Grécia) a exibição do filme é precedida por uma declaração formal de Stone, lida em off por ele mesmo, afirmando que aquela era uma obra apenas "livremente inspirada" na vida de Alexandre, e que não correspondia "necessariamente" à verdade histórica dos fatos que envolvem o personagem.
É um absurdo.
Por quê?
Vamos por partes.
Em primeiro lugar, começa pelo fato de que os gregos não tem o direito, em nenhum momento, de considerarem Alexandre um herói de seu povo. E isto por um excelente motivo: Alexandre não era grego. Simples assim. Ele era Macedônio. A Macedônia nunca fez parte da Grécia histórica. Tanto que, ainda nos dias de hoje, a Macedônia é um país autônomo, assim como a Grécia também o é.
Alexandre não só não era grego como aliás --- no começo de sua, digamos, "carreira" de conquistador --- surrou os gregos diversas vezes. Derrotou-os militarmente e submeteu-os ao seu domínio na batalha de Queronéia (hum... acho que é este o nome da batalha em que Alexandre venceu os gregos. Não tenho certeza. Lacuna em meus arquivos cerebrais). Não contente em vencê-los, Alexandre, anos depois de Queronéia, destruiu completamente Tebas --- a mais poderosa cidade-estado grega de sua época --- por haver ousado rebelar-se contra ele quando surgiu o boato, falso, de que havia morrido em combate na Ásia. Destruiu Tebas e escravizou todos os cidadãos da cidade que não matou ao esmagar a rebelião. Tem de ser mesmo muito aloprado, ou muito ignorante em história, para considerar grego um sujeito que matou muito mais gregos do que os que liderou em combate, posteriormente.
E há, em segundo lugar, a questão da sexualidade do conquistador macedônio. Aí a coisa toda se torna ainda mais cômica. Os doutores gregos afirmam simplesmente que Alexandre não era bissexual. Então tá.
Não existe nenhum historiador moderno que ponha em dúvida a bissexualidade de Alexandre. Ela é fato histórico praticamente comprovado, não por evidências físicas, é claro (é meio difícil você encontrar vestígios de com quem ia para a cama um determinado cidadão que viveu há 2.500 anos atrás) mas sim pela coincidência de relatos (Angélica, socorra-me aqui: coincidência de relatos é considerado prova histórica, não é?). Todos que escreveram sobre Alexandre na antiguidade comentam que ele amava tanto à mulheres como a homens e, inclusive, dão nome e CPF da grande paixão da vida do guerreiro: não, pessoal, não foi Roxana. Foi Hephaestion, seu amigo de infância e amante por toda a vida. Alexandre amava Hephaestion a tal ponto que por pouco não enlouqueceu de dor quando este veio a morrer de malária, na Babilônia, depois que os soldados macedônios já haviam colocado a Pérsia de joelhos e pisado nas inimagináveis terras da Índia. Aliás, Alexandre ficou tão transtornado com a morte de Hephaestion que ordenou o assassinato por crucificação do infeliz médico que não conseguiu salvar-lhe a vida. Isto mesmo, crucificação. Já se usava isto naquela época.
Estes fatos são, como eu disse, contados por todos os cronistas da antiguidade, inclusive Plutarco, o mais famoso deles, em seu Vidas Paralelas. Quer dizer, seriamente, não é algo que se possa pôr em dúvida.
Aparentemente, a profissão de advogado na Grécia é pródiga em produzir patetas. O cidadão não demonstra serventia para nada, não dá certo em coisa alguma na vida, fica só ali, zanzando pela acrópole, daí pimba!: vira advogado. E passa a dedicar-se integralmente a encher o saco de todos os demais gregos que lhe passam pela frente, e também o de diretores de cinema americanos. E o pior é que este não é um fenômeno apenas grego: no Brasil, advogado também é, geralmente, uma praga. Acreditem, sei do que estou falando.

* * * * *

A volta dos posts culturais do Alex.

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Ó, aproveitando, é o seguinte: eu vou assistir à este filme, é claro, chova ou faça sol. Não tenho companhia para tanto, até o momento, e não gosto de ir no cinema sozinho. Alguém se habilita? Quem já foi no cinema comigo sabe: a pipoca e o refri são por minha conta. Piadas espirituosas também estão incluídas no pacote, ainda que permaneçam dúvidas sobre a qualidade das mesmas entre algumas de minhas acompanhantes passadas. Enfim, ninguém é perfeito, eu então. Mas a proposta é séria: quem quer ir assistir à Alexandre comigo? Quem estiver a fim favor me mandar um e-mail avisando. Brigado.

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E boa semana para todos.


Outras Palavras...:
:: Quarta-feira, Dezembro 01, 2004 ::
Ela é minha Molly Bloom. Bela, forte, enigmática, habitada por uma vontade básica e instintiva; totalmente feminina. Ela é minha Molly Bloom, ela esta à minha espera, ela contém em si todas as mulheres que já conheci. Minha Molly Bloom.
Eu sou seu Leopold Bloom. Tenso, atormentado, entristecido e doce: exausto. Ando pelas ruas de uma grande cidade, na verdade, sem ter porquê. Eu a vejo em cada mulher à minha frente, pois a desejo intensamente, e não a tenho, e não sei se um dia a terei. Eu sou seu Leopold Bloom.

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Obrigado pelo e-mail com o trecho traduzido de Walter Benjamin, Tatiana.
Cuide-se bem.


Outras Palavras...:
:: Segunda-feira, Novembro 29, 2004 ::
Eu não consigo desligar.
É um inferno. Eu-não-consigo-desligar.
Maldita ideologia calvinista. Está tatuada em meus neurônios. Não consigo me libertar dela, embora queira. E não adianta renegá-la conscientemente: isto eu já faço. É em meu inconsciente que a porca torce o rabo: uma pantera não se livra das próprias manchas. Você não descarta facilmente, aos 32 anos de idade, aquilo que lhe foi inculcado a ferro e fogo na mente desde os 15, e ainda antes disto. Um cão velho dificilmente aprende novos truques. Pior: em meu caso, sequer é capaz de se esquecer dos antigos.
Na verdade, a escala de valores deformada que habita meu cérebro só morrerá, muito provavelmente, no instante em que este meu cérebro vier também a morrer. Aí não vai ter jeito. Quero crer que meus erros e defeitos, que tem demonstrado uma extraordinária capacidade de permanência ao longo das últimas décadas, não lograrão sobreviver ao extermínio físico de meu corpo. Mas nunca se sabe.
Engraçado: lembrei-me da época em que eu era taoísta. Ah sim, cavalheiros, já tive religião sim, em priscas eras. Foi a única que de fato professei, até hoje. Mas desencantei-me com o taoísmo quando tentei e não consegui compreender o Tao Te King, a bíblia desta fé. Para alguém sempre fascinado pela razão é muito difícil crer em algo que não se compreende. Então, hoje eu não sou mais taoísta.
Mas talvez eu estivesse apenas extremamente cansado, você compreende? E com uma dor de cabeça que começara na sexta-feira de manhã e não dera trégua até aquele momento. E eu não pudesse dizê-lo, pois não achasse que era justificativa para tanto. Você compreende?
Esqueça. Pensando bem, para seu próprio bem-estar, é preferível que você não compreenda mesmo. Como li uma vez numa crônica de Rubem Braga, é melhor que as coisas acabem assim, que é um bom fim de estória.
Mas nunca ninguém perdeu um tostão apostando que eu falo mais do que penso. Ah, lá isso é.

* * * * *

--- "Aquilo que você falou" --- ela me disse --- "sobre o soldado que retorna da guerra e é incapaz de contar para outras pessoas o que viu, pois os horrores que presenciou nas batalhas não tem como serem descritos em qualquer linguagem humana, aquilo é um trecho de Walter Benjamin."
Pisco meus olhos, quase perplexo.
--- "Mas... mas eu jamais li Walter Benjamin!"
--- "Mas aquilo é um trecho de Walter Benjamin. Se você quiser tenho o livro aqui em casa, posso te mostrar."

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Walter Benjamin, filósofo alemão, nasceu em 1892 e morreu em 1940.
Brilhante teórico, Benjamin foi talvez o mais profundo analista do impacto que a modernidade (em especial as inovações tecnologicas) exercia em sua época sobre as manifestações artísticas (pintura, música, etc.) tais como eram conhecidas até então.
Judeu e homem de esquerda, Benjamin suicidou-se na fronteira franco-espanhola quando teve negado seu vista de entrada na Espanha e julgou, por este motivo, inevitável sua captura pelos nazistas, de quem fugia.
Isto segundo a história oficial. Mas há uma hipótese, que há muito tempo circula, de que Benjamin não se suicidou, e sim foi assassinado --- e não pelos nazistas, mas por um agente soviético que o executou por ordem direta de Stalin, que queria ver mortos todos os membros da esquerda intelectual alemã (como Rosa Luxemburgo) que faziam ou haviam feito oposição à ditadura bolchevique na Rússia. Pessoalmente, acredito que de fato foi o que ocorreu.

* * * * *

E então eu chorei.
Não, não o fiz como Paulo Coelho, que antes sentou-se na margem do Rio Piedra para tanto. Bem mais modestamente, chorei só, em meu pequeno apartamento na Avenida Paulista, depois. Estava tão cansado! E me sentia tão triste, pensando que havia naquela noite deixado escapar por entre meus dedos um daqueles momentos que fazem valer a pena uma existência humana.
Depois, com dificuldade, dormi. Porém hoje, estranhamente, acordei bem cedo.
Algo urge. Mas não sei o que é.

* * * * *

Ela surgiu em minha frente e abraçou-me antes que eu pudesse me refazer do susto de vê-la, tão mudada, dois anos depois da última vez que nos encontráramos. E eu a abracei com afeto e com medo por ver quão pesado pode ser o tributo que o tempo nos cobra por sua passagem.
Foi assim:
Madrugada de sábado para domingo, neste fim-de-semana passado. Por volta de... duas e meia da madrugada. Eu subia a Rua Augusta, preocupado, não lembro mais com o quê. Cabeça baixa, caminhava olhando para minhas botas.
Só fui me dar conta de que alguém vinha em minha direção e preparava-se para me abraçar quando ela já estava praticamente diante de meu corpo. E eu --- confesso --- tive medo em um primeiro momento. Medo do que eu via. Mas mantive o sangue-frio, e abraçei-a ternamente.
Ela sempre foi bela. Mais do que bela, charmosa. Não, jamais houve nada de amoroso entre nós. Apenas grandes amigos, ao longo de anos. Mas como negar que, algumas vezes, eu brinquei com a idéia de tê-la em meus braços?
Já tinha sido avisado. "Alex, ela está... mudada". Eu meio que imaginava. Ainda assim confesso que fiquei chocado.
Descia a Augusta, ela, junto com um rapaz negro, pequeno e franzino, e com seu filho --- criança que quase literalmente vi nascer, há oito anos atrás. Fui a primeira pessoa de fora de sua familia a visitá-la na maternidade, no próprio dia do parto.
Seus cabelos estavam desgrenhados. Muito desgrenhados. Ela está muito acima de seu peso ideal. Jamais foi uma mulher magra, mas também não era obesa --- de qualquer maneira, sempre gostei de mulheres encorpadas. Mas agora ela está, definitivamente, obesa, de uma forma que não é nada bonita de se ver.
E seus olhos... Deus, seus olhos. Não, não estão injetados. É pior. Estão inchados, quase querendo saltar de sua face. E eu sei porquê os olhos dela estão assim.
Peguei seu telefone, despedi-me com cortesia, disse-lhe que ligaria. Ela está num grupo de teatro, segundo me contou.
Já não estava bem naquela noite. Este encontro não contribuiu para a melhora de meu estado de ânimo.
Se ela não é mais feliz do que eu, apesar de tudo? Ora, mas é claro que sim. Ela sempre foi mais feliz do que eu e mais feliz do que a grande maioria das pessoas que conheço. Vive, sempre viveu, em um mundo próprio. Não é afetada por coisas que de forma geral abatem a maioria.
Mas, desculpem, eu não quero este tipo de felicidade para mim. Não agora.

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Aforismos. Muito bem. Um post todo escrito usando-os. Bonito.
Aforismo: frase ou frases curtas, em geral de caráter ensaístico e/ou cunho moral. A definição não é do Aurélio nem do Caldas Aulete. É minha. Mas está correta.
Agora escrevo usando aforismos.
Dizem que foi assim que Nietzsche começou. Começou a enlouquecer, esclareço. Um belo dia ele resolveu abandonar seus ensaios discursivos e começou a escrever apenas livros de, digamos, aforismos intelectuais --- Assim Falou Zaratustra é o mais famoso desses. Alguns poucos anos depois, nosso filósofo já se encontrava vegetando em uma cama na casa de sua irmã, balbuciando coisas sem sentido e babando pelos cantos da boca, dia após dia. Aparentemente, sigo célere pelo mesmo caminho. Com o agravante que, ao contrário de Nietzsche, de gênio não tenho nada.
Enfim.

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Sem comentários neste post, amigos, por favor.

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Boa semana para todos.


Outras Palavras...:
:: Domingo, Novembro 21, 2004 ::
Mea culpa, mea maxima culpa.
Eu sou um imbecil. Porém isto não é novidade, trata-se de fato largamente conhecido pela coletividade.
Não estou sendo irônico na frase acima. Portei-me como um idiota, na melhor dos hipóteses.
Eu te peço perdão.
Não sei, é claro, se o obterei.
Se não o obter, terá sido uma punição justa contra mim pela estupidez de meu procedimento.
Se, porém, em algum momento, você resolver me desculpar, vou pedir-lhe algo: ligue-me avisando, não me deixe nesta agonia indefinidamente. Até lá, ficarei calado, pensando em seus cabelos loiros e em seu sorriso belo, generoso, doce.
A vida, algumas vezes, prega-nos peças.


Outras Palavras...:
:: Segunda-feira, Novembro 08, 2004 ::
Porquê não falo mais sobre política.

Há a expectativa por parte de algumas pessoas que, estranhamente, lêem este blog de que eu venha a dizer algo acerca das últimas eleições ocorridas, no Brasil e nos EUA. Que eu diga algo sobre a vitória do Serra em São Paulo. Ou a do Bush nos States.
Não o farei, porém.
A verdade é que estou enfastiado de política. E não é de hoje. Mais enfastiado ainda estou de discorrer sobre este assunto.
Os que me conhecem, em especial a velha guarda Planta (que, por sinal, fez uma reunião neste domingo, deliciosa, na casa da Lili. Fotos no site do Mauricio. E aquilo que o Grandjean fez com minha testa usando Photoshop ficou simplesmente indecente) com certeza se surpreenderão com estas palavras. Afinal, desde a época da PUC --- e até antes dela, na verdade --- sou conhecido como um sujeito altamente politizado. Mais que isto, tenho fama de polemista --- fama justificada. Ao longo dos últimos anos, muita gente comeu pipoca e tomou refrigerante enquanto lia no Ouvido Eletrônico os intermináveis e violentos debates entre mim e o Mauricio sobre questões diversas desta área. Quem não se recorda dos pegas-pra-capar memoráveis que eu e ele já travamos, por exemplo, sobre o conflito Israel-Palestina? Quem viu não se esquece. Mas, ah, não mais, musa. Eu parei. Joguei a toalha. Cansei.
É duro você perceber que fala, fala, e não é compreendido. Pior, que também é estigmatizado como tendo opiniões que não são as suas. Pior, que você está na verdade pregando no deserto, porquê como as pessoas não captam o que você fala (ou melhor, não querem captar) a troca de opiniões termina por se tornar uma improdutiva partida de pingue-pongue, aonde a bolinha vai pra lá, volta pra cá, continuamente, mas jamais muda --- é sempre a mesma bolinha, só um pouco mais gasta do que no começo da partida. Muito ruim.
É claro que eu até sinto vontade de dizer uma ou duas coisas, por exemplo, sobre estas últimas eleições que citei. Mas não vou fazê-lo não. Até porquê, se for este o caso, não tem precisão --- o Mauricinho já fez isto por mim. Quem quiser ler algo sobre o cenário político brasileiro e internacional dos últimos meses, é só ir no blog dele (link aqui ao lado) e estará muito bem-servido. Porquê o Mauricio escreve bem, e é um homem politizado. Tão politizado que, nos últimos meses, ele esteve em estado de plena fúria cívica, esperneando feito louco e disparando a torto e a direito posts em que xingava de broncos estes americanos que ameaçavam dar seus votos para o Bush e não para o Kerry (como de fato o fizeram) e de reaças estes paulistanos que ameaçavam dar seus votos para o Serra e não para a Marta (como de fato o fizemos, eu incluso). Tá certo. O homem quer dar sua opinião, deixa ele dar. Mas eu, eu tô fora. Cheguei à conclusão que não vale a pena. Senão, vejamos:

* Esta semana a Fenabam e o Sindicato dos Bancários chegaram, enfim, a um acordo sobre o reajuste da categoria, após meses de impasse e uma greve chatérrima. Vai vir aí de 8,5 a 12,5% de aumento, em média, mais uns caraminguás, tipo cesta-alimentação extra. Alguém no banco perguntou, então, o que eu achara do acordo. Eu disse que achei o acordo bom, sim. Que havíamos saido ganhando. E aí, bate-pronto, o sujeito fala: "Ah, o Alex apóia o acordo! O Alex é pró-patrões!";

* Há um mês atrás, estava eu em uma mesa de bar (no Opção, para ser mais exato) e alguém na mesa comentou sobre a recente decisão do governo francês de proibir que alunos frequentem as escolas públicas usando símbolos religiosos ostensivos, como os horríveis xadors, véus pesados que algumas adolescentes muçulmanas são forçadas a usar por seus pais. Eu disse que achava que os franceses estavam totalmente certos em agir assim. E logo alguém exclama: "Ah, o Alex é anti-muçulmano!".

É duro.
É como aquela frase que li certa vez no A Day in a Life, o blog da sempre brilhante Luluca: minha beleza é um recurso escasso, porém ainda assim há pessoas que insistem em esgotá-la.
É claro que eu não sou pró-patrões. Aliás, eu não sou pró-porcaria nenhuma, a não ser pró-mulheres. Mas acontece que o acordo deste ano foi o primeiro em que conseguiu-se arrancar dos banqueiros aumento real de salários; que para conseguir um índice melhor faz-se necessária a mobilização da categoria, e os bancários não são uma categoria mobilizada; e, de qualquer maneira, quem quer ficar rico trabalhando em banco ou é burro ou é louco, ou ambos. Mas até eu explicar todos estes fatos singelos, dez anos de minha vida já se foram.
Igualmente, é óbvio que eu não sou anti-muçulmano. Aliás, eu não sou anti-porcaria nenhuma, a não ser anti-corintiano. Mas acontece que, em 1789, ocorreu em França um episódio interessante que atende pelo nome de Revolução Francesa, e neste episódio os franceses decidiram que, em seu país, religião e estado seriam coisas separadas. No que estavam, estão, muito certos, em minha opinião. E que para manter esta decisão de pé é necessário que se impeça que os espaços públicos da nação (tal como as escolas) transformem-se em locais de exibição explícita de símbolos religiosos agressivos e associados ao fundamentalismo, tais como os xadors. Mas, até eu explicar isto, lá se foram pelo ralo outros dez anos de minha vida.
Não dá. Não tenho mais saúde para isto. Sou um senhor já de certa idade. Preciso me poupar deste tipo de desgaste.
E é por este motivo que não falo mais de política neste blog. De agora em diante o Dossiê Alex terá como única missão sobre a terra louvar a beleza das mulheres, as virtudes da boa literatura e as glórias do Sagrado Tricolor Paulista. Nada mais.
Tenho dito.
Boa semana pra todos.
Outras Palavras...:
:: Sexta-feira, Outubro 15, 2004 ::
É com tristeza que registro aqui a morte de Fernando Sabino, ocorrida nesta segunda-feira, 11/10.
Sabino é um dos autores mais doces e talentosos que já li. Ele é um dos responsáveis diretos por eu ter me tornado o leitor que me tornei.
Quando eu ainda era uma criança, lá pelos meus 12, 13 anos, talvez até antes (quanto mais o tempo passa, menos nítidas vão se tornando minhas memórias do passado; ao contrário do próprio Fernando, cujo epitáfio, de sua própria autoria, é esta frase linda: "Aqui jaz Fernando Sabino; nasceu homem, morreu menino) iniciei-me na literatura com um gênero que é brasileiro por excelência: a crônica. Na casa de minha avó materna havia uma série de coletâneas velhas, ensebadas, mas excelentes de grandes cronistas brasileiros. Leon Eliachar, Carlos Eduardo Novaes, Stanislaw Ponte Preta (este era brilhante, eu rachava de rir com ele) e, é claro, Fernando Sabino. Gostava especialmente das crônicas do período nova-iorquino do autor (que estão, se eu não me engano, agrupadas no livro A Cidade Vazia) e também das que remetiam às lembranças dele de Minas Gerais. Foi através destes cronistas que eu primeiro tive contato com a literatura, que daí por diante moldaria minha mente e minha visão do mundo pelos anos seguintes. E foi através deles, também, que eu pude me refugiar das difíceis condições de minha infância.
Alguns anos depois, já na adolescência, eu li O Encontro Marcado, este brilhante romance de Sabino que retratou toda uma geração de intelectuais brasileiros. É uma obra inestimável, um "romance de formação" que retrata o surgimento, desenvolvimento, apogeu e queda de uma existência humana com extraordinária acuidade. A saga de Eduardo Marciano, descrita no romance, é uma relato delicado e duro da fragilidade, gratuidade e beleza de uma vida. Marcou a todos que a acompanharam, através da leitura do livro, marcou a mim.
Sabino era dono de uma prosa de enorme leveza, um texto que, pelo frescor, parecia sempre ter sido escrito pelo autor poucas horas antes de chegar a nossos olhos, mesmo quando o que líamos já tinha décadas sobre o papel. E havia também ali uma ternura, uma docilidade irônica que eu só fui encontrar igual em Rubem Braga, mas isto anos após conhecer Fernando.
A morte dele cobre de dor a literatura brasileira, e deixa-me aqui, sozinho a cismar, com a criança que um dia eu fui, a ler Fernando Sabino sentado sozinho no sofá da sala, enquanto os outros moleques jogavam bola na rua. Bons, e maus, tempos aqueles.
Abraço em ti, Fernando.
Outras Palavras...:
:: Sexta-feira, Outubro 01, 2004 ::
Recebi um recado simpático da Blogger brasileira. Sinteticamente, a empresa que hospeda esta página ameaça-me retirá-la do ar, mandando para o espaço todos os meus textos, se eu não voltar a postar (que palavra feia) aqui. Ou, preferencialmente, se eu não me tornar assinante da Globo.com. Preferencialmente para a Blogger, bem entendido. Tá certo.
Como sabem todas as pouquíssimas pessoas que acessam este site, parei de escrever aqui logo após o primeiro de maio deste ano, data do falecimento de meu pai. Não sentia vontade de continuar a fazê-lo. Aliás, não sentia vontade então de continuar a fazer o que quer que fosse. Aliás, não sentia vontade então de continuar vivendo.
Mas continuei. Vivendo, não escrevendo aqui.
A morte de meu pai representou o mais devastador golpe que até hoje recebi. Não vou me estender, e cansar vocês, relatando o estado em que fiquei na ocasião. Aqueles que estiveram próximos a mim naqueles dias lembram-se bem. Até hoje não me recuperei plenamente daquela tragédia, e na verdade não creio que um dia vá me recuperar. Há acontecimentos que, por sua grandeza --- por sua terrível grandeza, como neste caso --- tem o dom de alterar a própria essência daquilo que somos. Provocam uma mudança estrutural, e não apenas conjuntural, em nossa personalidade, para usar uma expressão própria da ciência econômica. A perda de meu pai foi, para mim, um destes acontecimentos. Ele era a pessoa que mais me amava e, hoje eu percebo, também a pessoa que eu mais amava sobre o mundo. Sem ele, sem seu apoio e seu sorriso amigo, que tantas vezes me confortou, sinto-me tremendamente só nesta terra. Especialmente em momentos como este.
Mas a vida continua. Eu decidi continuar vivendo, ainda não sei ao certo porquê. Portanto, vamos lá.

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Trabalho. É do que mais tenho me ocupado nos últimos meses. Enfrentando uma depressão braba (que exige que eu me medique diariamente) e problemas que pipocam por todos os lados --- financeiros, amorosos, familiares --- instintivamente soltei as rédeas do calvinista que há em mim, e para esquecer da vida, mergulhei em minha profissão. Escrevo reportagens, trabalho em sites, e também no banco. Sem parar. Tenho até conseguido poupar algum dinheiro, embora ainda não tenha quitado todas as dívidas que acumulei nos últimos anos. Paciência. Já não sou criança, não dá para continuar vivendo como se ainda tivesse 20 anos de idade. Está na hora de começar a acumular reservas para o futuro (já ia escrever aqui para a velhice, mas me contive). E, de qualquer maneira, quando eu trabalho, eu me esqueço. E esquecer, nos últimos meses, vem sendo a maior dádiva à que almejo.

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Há também algo que eu desejo fazer, neste post. É agradecer a todos os meus amigos que, de uma forma ou de outra, fizeram-se presentes em minha vida, apoiando-me, nos dias terríveis que se seguiram ao falecimento de meu pai.
Agradecer ao Evandro, que foi uma das primeiras pessoas que soube do ocorrido e avisou a todos, e também esteve próximo à mim sempre que pôde.
Agradecer à Dani, que ajudou-me, não apenas com sua amizade, mas também com seus conhecimentos de psicóloga, e ligava-me várias vezes para saber como eu estava.
Agradecer ao Grandjean e à Nancy, que igualmente mostraram-se solidários na ocasião e mantiveram contato constante comigo durante aquele período.
Agradecer à Jah, amiga tão benquista e tão distante, que ligou-me em casa no dia em que soube do que acontecera para confortar-me, mesmo sequer tendo meu número de telefone (alguém deve tê-lo repassado para ela).
Agradecer à Camila, que também me ligou em casa, prestando-me solidariedade.
E também agradecer à Melissa, ao Carlão, à Lola, à Du, à Carô e ao Maurício, que manifestaram seu pesar e seu carinho a mim via messenger, e-mails, comentários ou posts. Obrigado a todos, devo muito a vocês.
Mas, sobretudo, devo muito à uma querida amiga, Angélica. Ela, que abalou-se de sua cidade para cá, em pleno domingo, um dia após a morte de meu pai, em um momento em que eu estava mais do que arrasado, mais do que desesperado, e passou a noite comigo (justamente para que eu não ficasse sozinho então) --- ela foi, e ela é, maravilhosa. Agradeço, Angélica, pelo apoio que então recebi de ti, e por tudo que de ti tenho recebido desde que nos conhecemos. Obrigado.

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Bem, finda-se aqui este post. Não sei quando escreverei neste blog novamente, mas animem-se (ou desanimem-se, depende): acho que vai ser logo. Afinal, preciso manter este endereço no ar, tenho planos para ele no futuro. Mas, por enquanto, vou mesmo ficando por aqui. Abraço em todos.
E cuidem-se bem.
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:: Segunda-feira, Maio 03, 2004 ::
Poema de Finados

Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.


Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.


O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.



Manuel Bandeira


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Este blog está paralisado por tempo indeterminado.

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